segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

quinquilharias...

Eu tenho vivido uma inconstância de sentimentos. Na loucura da minha cabeça me perco em pensamentos que imaginava não ter mais, eu pensava que tinha um controle sobre o que eu sinto, sobre meus medos, certezas de um controle que hoje eu vejo que não tenho. E isso não é de todo mal, talvez me atrapalhando eu descubra que eu estou viva, que eu sou intensa, que eu posso sentir ainda.
Aos que sofreram os respingos dessa minha loucura, perdão. Aos que embarcaram nela comigo, obrigada. Aos que passaram longe, parabéns. A todos, a mim e a vida, vamos seguir.

"Rompi tratados, traí os ritos, quebrei a lança, lancei no espaço, um grito, um desabafo..."

sábado, 11 de dezembro de 2010

Quinquilharias erepianas

Hoje tive notícias de uma pessoa muito especial que faz tempo que eu não vejo. É muito bom saber como estão as pessoas que moram longe, ainda mais quando alguns acontecimentos da vida acabam nos afastando um pouco.
Existe na minha vida uma ocasião que ocorre uma vez por ano que é responsável por algumas das relações mais bonitas que eu tenho, são quatro ou cinco dias especiais, num espaço livre onde todos podem apenas ser, sem preocupação alguma com coisa alguma.
Lá eu criei laços que carrego a alguns anos já, pessoas que me ajudaram a ver a vida de uma forma um pouco diferente, que me acrescentaram vivências e sentimentos que formam um pouco o que sou hoje. Ainda existem pessoas que entraram na minha vida mais recentemente e que também já mudaram algumas coisas, essas mudanças são muito significativas pra mim. Talvez não seja possível para todas as pessoas que freqüentam esse espaço entender a grandeza disso, a de"s"formação que a gente passa no começo, uma sensação de desconstruir o que a gente pensava ser único, que acaba gerando uma afetação total da realidade onde o que se pode fazer são muitas trocas e possibilidades. Uma brincadeira até tosca com os temas, mas que faz todo o sentido, um sentido de continuidade que é presente em todos os anos, a expectativa pelo próximo porque se sabe que algumas coisas só podem acontecer lá, porque aquele é o espaço pra essas coisas acontecerem. Essa é a grandeza de tudo isso, a beleza de poder ser apenas o que se quer, sem medo.
Acho que essa sensação que fica quando a gente volta pra rotina, de que algumas coisas simplesmente não acontecem na vida "irreal", do cotidiano, talvez porque a vida que a gente leva as vezes acaba sendo mecânica, como se fosse alguma coisa premeditada, talvez programar a vida a torne irreal. Esse sentimento me causa uma falta enorme, quando troquei informações com esse amigo especial eu não sabia o que dizer a não ser a falta que ele faz, a falta que essas pessoas fazem, a falta de abraços inesperados, lambidas na cara, palavras de afeto, liberdade quase plena, necessidade de fazer nada junto, saudade do mato e da chuva de flores amarelas. Essas coisas são combustíveis quando as minhas coisas não vão muito bem, a esperança de saber que um dia essa hora chega e os encontros acontecem de novo, continuando aqueles cinco dias do ano passado e resgatando um pouco do que foi se perdendo pelo caminho.
Talvez o meu momento não seja dos melhores, talvez nem tenha um grande motivo pra isso, mas saber que logo verei tanta gente e sentirei tantas coisas resgatam um pouco das coisas que penso ter perdido ultimamente. Pode ser só saudade, mas quem sente saudade é porque sente amor por alguma coisa, algumas pessoas e alguns lugares e isso eu sei que eu sinto, o afeto deles me afetou e agora já não tem mais volta.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Quinquilharias argentinas

Dias de chuva as vezes são um problema, normalmente quando chove o tédio chega e eu nunca sei o que fazer. Então eu leio um pouco, fico um tempo me inutilizando na internet, vejo um pouco de TV e assim vai o dia inteiro. Mas existem coisas que fazem me perder no tempo, normalmente elas acontecem em dias de chuva, como hoje.
Resolvi separar alguns discos antigos, herança do meu meu avô, acabei me deparando com muitos discos de tango, de Gardel a Piazzolla, fiquei horas escutando. Eu não sei muito bem o porque de gostar tanto desse tipo de música, isso mexe um pouco com as emoções, é um tipo de música que entra na alma e dança lá dentro dando uma sensação de choro e paz. É, uma viagem, mas é isso que eu sinto, muitas coisas me fazem sentir isso, as vezes um texto bem escrito, um filme bem feito, uma peça de teatro e uma música bem executada, como essas, como o tango. E por incrível que pareça isso faz bem, lava a alma.
Penso um pouco na Argentina, ela tem essa diferença, o nosso samba é alegre, fala de dor mas com alegria. O tango argentino fala através da dor, o drama. Brasil e Argentina, tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes, é impossível tentar comparar, porque não existe comparação. O bom mesmo é aproveitar as duas coisas, alegria triste do samba, o drama triste do tango.
Isso não é depressivo, pode ser um pouco profundo e isso pode causar um estranhamento, é difícil sermos profundos hoje, a praticidade e o não pensar tomam conta até das emoções. Mas a gente que escolhe quando, como e porque ser profundo, as vezes, quando o tango dança na alma eu fico um pouco assim e não é nem um pouco triste. Talvez se minhas referências fossem um pouco mais atuais, como Gotan Project por exemplo, não soaria assim tão dramático, mas é que de Gardel a Gotan Project, de Noel a Diogo Nogueira, triste alegre, dramático triste, do jeito que for, tango ou samba tocam fundo, encantam, fazem bem, pelo menos em dias de chuva, lavam a alma.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quinquilharias existencialistas!

Acabo de levar um susto da vida!
Hoje é sexta-feira, as pessoas saíram de casa, metade dos meus amigos estão arrumando mala ou pensando em show do Paul, outros estão na aula ou fazendo alguma coisa significativa nas suas vidas, menos eu. Tá e qual é a do susto???
Eu sempre fui a rainha da ociosidade, fazer nada é o que eu fazia de melhor. Agora que eu estou aqui em um momento onde eu não tenho nada pra fazer e não preciso fazer nada eu começo a pirar que eu preciso fazer alguma coisa. Sim, eu acho que eu estou finalmente virando mocinha, mas essa angústia de não fazer nada me incomoda. Talvez eu tenha me acostumado a sempre fazer alguma coisa, mesmo que não fosse produtiva ou significativa, pensar em não fazer nada nunca tinha me incomodado antes, acho que eu me rendi aos tempos modernos. Tempos onde só vale alguma coisa quem produz, as pessoas perderam a essência do não fazer nada, ócio virou mesmo sinônimo de vadiagem, porque todo vadio é aquele que não produz, produção é sinônimo de dinheiro e tudo vira um ciclo de faz, ganha, existe!
Será que hoje não precisa mais pensar pra logo existir ou simplesmente existir e pensar não servem mais na mesma frase?
Quando Descartes concluiu que ele existia apenas pelo fato de pensar, partiu do princípio que duvidar o fazia pensar, por isso ele existia. Será que hoje ainda podemos afirmar que a nossa existência é provada através da nossa dúvida ou é preciso pensar demais pra duvidar das coisas. Afinal, vamos duvidar do que, as coisas estão todas aí, tudo o que precisamos saber está no Google e a televisão nos permite assistir diversas coisas ao mesmo tempo. Duvidar pra que, pensar pra que, pensar é perder tempo, quem duvida perde tempo de produção, entra em um campo que não é permitido, foge do sistema, confronta o que é estabelecido e acaba pensando em existir de uma maneira diferente.
Tá e o que seria existir hoje, já que não existe dúvida e pensamento? não sei, eu acabei de levar um susto ao ver que o fazer nada me incomoda. Tentando digerir a idéia que o mundo moderno me pegou, fico eu aqui pensando, existir realmente tem o mesmo significado pra todas as pessoas ou será que as pessoas simplesmente existem cada um a sua maneira. Nem todo mundo não quer pensar, nem todos não duvidam, assim como existem aqueles que nem pensaram que podem pensar e duvidar, então eles não existem?????
Talvez existir tenha hoje um significado diferente do que o Descartes concluiu, existir é estar, mas apenas estar não significa que a pessoa existe, complica né?
Existir tem muitas definições no dicionário, entre elas; viver. Então podemos dizer que existir além de viver significa permanecer, ser algo em algum momento. Se existir se define dessas maneiras, então aquele que pensa existe, o que não pensa também existe, basta estar vivo pra existir, talvez não basta existir pra viver. Mas e o que o ócio tem a ver com isso tudo?
Se hoje só vale alguma coisa quem produz e produzir acaba sendo existir eu tenho que discordar disso, porque pensando melhor no que é existir dá pra perceber que não é só quem produz que existe, o ocioso também existe, arrisco a dizer que o ocioso também produz, talvez ele nem seja ocioso, mas a gente fica condicionado a chama-lo assim pelo simples fato de a produção dele não gerar lucro.
Se existir e viver podem ser sinônimos, eu me arriscaria a dizer que o ocioso da modernidade vive muito mais do que os existentes, produtores e lucrativos seres que valem alguma coisa. Talvez eu tenha produzido muito mais nesses poucos minutos do que quando eu estou cheia de coisas pra fazer, me rendendo a vida moderna. Mas seria muita audácia minha querer pensar sobre isso né?
Penso, logo existo. Não existo apenas porque penso, não penso apenas porque existo, não vivo apenas existindo, eu valho alguma coisa apenas fazendo nada.
Tá e as quinquilharias??????
Essas letras ai são as quinquilharias, quinquilharias existenciais, algumas tu aproveita outras tu joga fora!

sábado, 18 de setembro de 2010

Quinquilharias afetivas

Depois de muito tempo sem escrever sobre as quinquilharias da vida eu voltei a pensar nelas. Passo a maior parte dos meus dias pensando, estudando e lendo sobre o afeto, as vezes nem tão explicitamente assim, mas através de outros olhares o que a gente passa a vida procurando e lidando é com o afeto. Relaciornar-se com pessoas é ter ligações afetivas com elas e isso não acontece apenas nas relações profundas, é como se fosse uma pré-condição para que os relacionamentos aconteçam.
Pensando nisso eu procurei rever as minhas relações, acabei descobrindo que de certa forma estão um caos. É complicado quando a gente percebe que nossas relações estão com dificuldades, principalmente quando não sabemos muito bem porque. São tantos os motivos possíveis, são tão estranhas as reações das pessoas que não consigo as vezes distinguir quem é o responsável por algumas coisas. Quando se tratam de relações humanas, pessoas são complexas demais para a gente tentar explicar assim, achando um responsável por alguma coisa. Quando a gente se dispõe a pensar sobre isso um leque de possibilidades se abre, a gente fica confuso, chora, procurar entender, procura se auto criticar para achar as respostas, mas as vezes não existe resposta, talvez tenha sido uma discussão boba, um oi mal dado, uma idéia diferente, um não conhecer realmente o outro e isso já basta paras coisas mudarem, as relações estremecerem.
E elas modificam mesmo, algumas vezes as coisas mudam devagar, as pessoas vão se perdendo aos poucos, outras vezes são abruptamente afastadas, existem situações em que nunca mais as pessoas se olham no rosto e muitas outras que o antigo amigo, amor, parente vira o foco da maldade alheia. Como lidar com tudo isso?
Talvez essas reações sejam apenas algumas que ocorrem, não citei a minha, que foi pensar e repensar, buscar explicações, achar coerência no que as pessoas dizem, concordar com criticas, discordar de algumas delas, se sentir mal e lavar o rosto com lágrimas. Depois de tudo isso desabafar na internet, como se quisesse gritar pro mundo e para as pessoas que se afastaram ou que afastou "eu estou aqui, talvez as coisas não tenham saído como deveriam" ou simplesmente desabafar para quem estiver afim de ler.
Não sei muito ao certo como cada pessoa resolve seus problemas afetivos, mas que a busca do afeto é constante eu tenho certeza, por mais frágeis que estejam as relações humanas hoje em dia, as pessoas só precisam de outras pessoas para se sentirem completas, vivas, humanas. Quando isso não acontece muitas pessoas acabam virando quinquilharias umas para as outras, mesmo que tentando parecer indiferentes elas sofrem com isso, porque somos seres humanos, sociais e sociáveis desde que nascemos.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quinquilharias empoeiradas

Quinquilharias empoeiradas

Tá chegando o dia da mudança, nem sei por onde vou começar. São tantas coisas jogadas em tantos cantos, cada vez que minha mãe me encarregava de dar fim na bagunça do meu quarto, todo cantinho era lugar para enfiar a bagunça. Agora vou ter que pagar o preço pela preguiça, começar 2010 organizando a casa, puxando toda a quinquilharia pra fora, tirando o que eu não quero mais, juntando os livros antigos, papéis já inúteis, cadernos do ensino médio ( e fundamental, se duvidar). Tudo pra dentro de um saco de lixo.
Chegou o dia dessas quinquilharias que eu guardo por preguiça de por fora, nunca penso que um dia elas vão ter que ser mexidas, trocadas de lugar para dar espaço pra novas coisas. Que serão socadas em algum canto e esquecidas, pelo menos até a próxima mudança ou surto da mãe. As quinquilharias que não são da alma, nem do coração, as palpáveis e que se acumulam de um jeito que fica impossível disfarçar, não ver que estão ali. Caindo de uma gaveta, uma prateleira ou atrás daquela porta que está proibida de ser aberta, pelo menos até o dia que tudo vier pro chão. O que fazer com elas eu não sei, talvez seja mais fácil de descobrir do que as que as que estão escondidas, sem que possam ser tocadas. Mas dessas já falei aqui.
Disso tudo uma coisa é certa, vai rolar muito anti-alérgico, lenço de papel, espirros e poeira, muita poeira. Os ácaros vão fazer a festa, meu nariz vai ficar uma loucura e minha mãe vai me olhar e dizer “bem feito!”. Posso imaginar a cena.
O negócio agora é por tudo pro chão, encarar a poeira e dar uma geral nas quinquilharias, todas empoeiradas!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A importância dada aos cuidados com a saúde é algo milenar. Desde o princípio da civilização, pessoas se destacavam nas tribos ou nas comunidades como curadores, aqueles que entendiam de doenças e eram, portanto, responsáveis pela reestruturação da saúde. No Brasil a prática da medicina, em si, data de 1829, no entanto a regulamentação do exercício dela não é alterada desde 1931. Agora, entra em cena o Ato Médico, projeto de lei nº. 7.703/06 que visa à regulamentação da profissão do médico a exemplo de outros países que já a tiveram. Porém, este projeto de lei gerou polêmica desde que foi apresentado na câmara dos deputados, em Brasília, pois este estabelece procedimentos que passarão a ser exclusivos dos médicos, acabando assim com a idéia de multidisciplinaridade e interferindo em ações específicas da formação nas diversas áreas da saúde.
O PL dá exclusividade de formulação do diagnóstico e respectiva prescrição terapêutica, além de determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico, ao médico. Isto é, o médico adquire total autonomia para examinar o paciente e encaminhá-lo para algum tratamento segundo o seu próprio diagnóstico. Antes de o paciente procurar um especialista, por exemplo um nutricionista ou psicólogo, ele procurará um médico que vai estabelecer como o outro profissional deverá atuar em sua própria área do conhecimento.
O Ato Médico contraria a própria realidade da atual medicina, que é fragmentada por especialidades, onde as práticas de saúde estão divididas em diversas subáreas, como por exemplo, cardiologia, pneumologia, ortopedia. Na própria medicina existe certa “multidisciplinaridade”, o que torna o PL totalmente abusivo em relação à diversidade de profissões da área da saúde.
Frente a isso, diversos profissionais da área da saúde, área que envolve o exercício de muitas outras profissões além da medicina, questionam esse projeto. Se aprovado pelo Senado, o PL virará lei, dando assim uma autonomia que comprova o corporativismo e a desqualificação de profissões reconhecidas há anos e que exigem especializações, especificidades que vão além das matérias estudadas na medicina. O Diretório Acadêmico América Latina Livre, representante dos acadêmicos de Psicologia da UPF, está preocupado com o futuro não só desses futuros profissionais que representa, mas de todos aqueles que escolheram uma profissão que exige um olhar cuidador sobre o outro. Mantem parceria e contato direto com as entidades de classe, como o CRP/07 e o Sindicato dos Psicólogos do Rio Grande do Sul, para colaborar nas ações que tomaremos daqui para frente contra a aprovação do texto desse PL.
Dizer não ao Ato Médico é uma maneira de defender não só os profissionais da saúde, mas também a população, que será atingida diretamente por esta lei, pois é para ela que todos esses profissionais atuam, buscando a melhoria de seus serviços e acesso irrestrito a todas as áreas de atuação dos profissionais da saúde. Sobretudo, dizer não ao Ato Médico é também defender que haja uma nova regulamentação para a categoria dos médicos sem que para isso as ações científicas e técnicas das demais profissões sejam desconsideradas. Estar contra este projeto de lei é também assegurar aos cidadãos brasileiros o bem-estar e a não hierarquização de profissões, que deveriam estar trabalhando unidas pela população, não interferindo de forma invasiva e direta no fazer do outro, tirando assim toda a autonomia dos demais profissionais da saúde.

Ana Ferraz